Por Vanessa Oliveira
Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes
Iniciei a leitura sem conhecer a fundo a história, apenas sabia que se tratava de um romance marcado por vingança e morte. Logo nos primeiros capítulos, confesso: detestei todos os personagens, tanto da primeira quanto da segunda geração.
Mas, com o tempo, minha visão começou a mudar. Passei a admirar Isabella, que mesmo tomando decisões impulsivas, mostrou coragem ao enfrentar um relacionamento abusivo e ter forças para recomeçar.
Heathcliff é, sem dúvida, um personagem duro, cruel e até perturbador. Mas sua história também é marcada por abandono, dor e humilhação desde a infância. Isso não justifica suas atitudes, mas nos faz refletir sobre o que o levou a se tornar quem é.
Um ponto que me chamou atenção foi a relação com Hareton. Apesar de Heathcliff ser visto como um “demônio” por muitos, Hareton o ama como uma figura paterna. Isso me fez pensar que talvez Heathcliff não seja apenas aquilo que os outros enxergam, mas alguém que também revela outras faces dependendo da relação que constrói.
Outro ponto interessante é a forma como a história é narrada, por alguém que ouviu tudo de outra pessoa. Isso nos faz questionar: até que ponto conhecemos de fato os sentimentos e intenções dos personagens?
No fim, o que mais me marcou foi perceber que todos eram muito jovens e imaturos, o que explica muitas de suas escolhas trágicas. Catherine, por exemplo, não soube equilibrar seus sentimentos e sua nova vida, levando-a a um destino doloroso.
É um clássico que vai além do tempo, não só pela sua história, mas pela forma como nos faz amar e odiar os personagens ao mesmo tempo.
E você, já leu? O que achou?

Emily Brontë (1818–1848) foi uma romancista e poetisa britânica, autora do clássico “O morro dos Ventos Uivantes” . De caráter retraído e enigmático, viveu a maior parte de sua vida reclusa em Haworth, Yorkshire. Sua única obra, publicada sob o pseudônimo masculino Ellis Bell, foi inicialmente incompreendida, mas se tornou um pilar da literatura mundial.